Ela tinha uma idade não denunciável ao primeiro olhar. Sentada na mesa do café mais antigo da cidade, não parecia uma mulher sem história nem de olhar vago preso a futilidades. O sujeito ao lado, camuflado pelo jornal, observava-a. Parecia querer falar-lhe sem coragem para perturbar a privacidade de uma desconhecida. Ela notou, percebeu-lhe a inquietude, não disfarçou e o homem enfiou-se no jornal. Ela levantou-se e perguntou-lhe:
-Porque estava a olhar para mim? Como um bom mentiroso ele negou sem hesitar. E ela voltou a perguntar?
-Porque estava a olhar para mim?
-Não sei... as pessoas olham para as pessoas, penso que é normal!
Ela voltou a sentar-se e a idade tornou-se-lhe pesada no rosto como se tivesse na alma mais cepticismo do que anos de vida.
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